Aproveitara tanto o tempo que
quando se apercebeu
já era muito noite
e lá estavam
pingadas
no céu
duas
luas
Já era hora de cobri-las com suas pálpebras
e despedir-se do mundo daquele dia
esperava, quando acordasse noutra manhã,
montar, com seu quebra-cabeças sem encaixes,
novas euforias
5 de fevereiro de 2013
17 de janeiro de 2013
Acabou despertare
Acordou com vontade de respirar o sol
abraçar a grama
e guardar seus amados amigos dentro do peito
Mas lembraram-no que ele estava proibido de viver seus sonhos
-pois a vida não é feita para sentir
ensinaram-no em tom conhecedor
"e para que servia então?"
Nunca se encantou com cofres cheios de papéis
que eram mais estimados do que gente
enojava-se com o menosprezo, a indiferença
e as diferenças
não queria um onde no qual todos se parecessem
apenas um quando no qual todos pudessem ser
Foi assim que desaprendeu sua caduca lição
para, algum dia, abraçar o sol
guardar a grama dentro do peito
e respirar seus amigos
amados
8 de janeiro de 2013
O corpo estirado
Aquele corpo
estirado na esquina
repousa sobre a suja calçada
e suja a caminhada daqueles que por ali transitam
Deitado,
indiferente aos passos que atrapalha,
não sabe o dono daquele corpo
o quão inconveniente está a ser
ao forçar os transeuntes a contorná-lo
como se alguém tivesse autoridade
para impedir o ir-e-vir dos outros
Está coberto por um velho pano
que talvez algum dia tivesse sido branco,
mas hoje está amarelo,
provavelmente fétido,
como sugere seu misto
de cores amarronzadas:
uma inadequação de odores!
Além de incomodar os que tentam cruzar a calçada,
aquele corpo fede, e multiplica os desconfortos de quem passa
Imagina se, debaixo daquele tecido, emerge um rosto
que, com um miserável olhar de piedade, balbucia:
“o senhor pode me dar uma ajuda?”
do jeito que as coisas andam
não me surpreenderia com tamanha ousadia!
Os pestilentos acreditam
que sua condição degradada,
embrutecida,
é motivo o suficiente para nos aporrinhar,
seja para pedir moedas,
ou implorar por alguma comida
que suamos para comprar!
desde quando cochilar nos pavimentos,
por longas horas,
enriquece alguém?
não estudei para arrumar um salário
que alimente a preguiça
e estimule a mendicância!
Sem o direito de ser-e-sentir,
ali, no chão, está aquele corpo
na chuva e sol,
dia e noite,
vivo ou morto
o que está mais do que óbvio
é que bloqueia o meu caminho
estirado na esquina
repousa sobre a suja calçada
e suja a caminhada daqueles que por ali transitam
Deitado,
indiferente aos passos que atrapalha,
não sabe o dono daquele corpo
o quão inconveniente está a ser
ao forçar os transeuntes a contorná-lo
como se alguém tivesse autoridade
para impedir o ir-e-vir dos outros
Está coberto por um velho pano
que talvez algum dia tivesse sido branco,
mas hoje está amarelo,
provavelmente fétido,
como sugere seu misto
de cores amarronzadas:
uma inadequação de odores!
Além de incomodar os que tentam cruzar a calçada,
aquele corpo fede, e multiplica os desconfortos de quem passa
Imagina se, debaixo daquele tecido, emerge um rosto
que, com um miserável olhar de piedade, balbucia:
“o senhor pode me dar uma ajuda?”
do jeito que as coisas andam
não me surpreenderia com tamanha ousadia!
Os pestilentos acreditam
que sua condição degradada,
embrutecida,
é motivo o suficiente para nos aporrinhar,
seja para pedir moedas,
ou implorar por alguma comida
que suamos para comprar!
desde quando cochilar nos pavimentos,
por longas horas,
enriquece alguém?
não estudei para arrumar um salário
que alimente a preguiça
e estimule a mendicância!
Sem o direito de ser-e-sentir,
ali, no chão, está aquele corpo
na chuva e sol,
dia e noite,
vivo ou morto
o que está mais do que óbvio
é que bloqueia o meu caminho
29 de novembro de 2012
Sobre caules
Perdoem-me os afortunados autossuficientes,
mas não acredito em flores sem caules
que flutuam sobre o nada
a se alimentar, sós, do sol
e independem de água e sal
Do auto-aplauso do auto-didata
que do alto do planalto
conserva o seu orgulho
com reservas em se sentir tocado
Todo fruto vem de dois
ou mais
Sucesso solitário
do ser incapaz
De notar que há braços ao redor
elo que não se desfaz
8 de novembro de 2012
A los que sueñan
Sobre los que sueñan a cada día
y viven como si tuvieran alas
no hago bromas
cuando uno lo hace,
no le veo gracia
Prefiero las tonterías de los que creen
que los corazones no sirven solamente para sangrar;
que los pulmones no tienen que ser agotados como la
caldera de un tren de vapor;
que las manos y piernas de hombres y mujeres no deben ser
tentáculos de un monstruo insaciable
Me encantan ellos que, en sus locuras, se lanzan en
batallas por toda la vida
y persisten confundindo los sueños adormecidos con los
despiertos
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