17 de janeiro de 2013

Acabou despertare

Acordou com vontade de respirar o sol
abraçar a grama
e guardar seus amados amigos dentro do peito

Mas lembraram-no que ele estava proibido de viver seus sonhos
-pois a vida não é feita para sentir
ensinaram-no em tom conhecedor
"e para que servia então?"

Nunca se encantou com cofres cheios de papéis
que eram mais estimados do que gente
enojava-se com o menosprezo, a indiferença
e as diferenças
não queria um onde no qual todos se parecessem
apenas um quando no qual todos pudessem ser

Foi assim que desaprendeu sua caduca lição
para, algum dia, abraçar o sol
guardar a grama dentro do peito
e respirar seus amigos
amados

8 de janeiro de 2013

O corpo estirado

Aquele corpo
estirado na esquina
repousa sobre a suja calçada
e suja a caminhada daqueles que por ali transitam

Deitado,
indiferente aos passos que atrapalha,
não sabe o dono daquele corpo
o quão inconveniente está a ser
ao forçar os transeuntes a contorná-lo

como se alguém tivesse autoridade
para impedir o ir-e-vir dos outros

Está coberto por um velho pano
que talvez algum dia tivesse sido branco,

mas hoje está amarelo,
provavelmente fétido,
como sugere seu misto
de cores amarronzadas:

uma inadequação  de odores!

Além de incomodar os que tentam cruzar a calçada,
aquele corpo fede, e multiplica os desconfortos de quem passa

Imagina se, debaixo daquele tecido, emerge um rosto
que, com um miserável olhar de piedade, balbucia:
“o senhor pode me dar uma ajuda?”

do jeito que as coisas andam
não me surpreenderia com tamanha ousadia!

Os pestilentos acreditam
que sua condição degradada,
embrutecida,
é motivo o suficiente para nos aporrinhar,
seja para pedir moedas,
ou implorar por alguma comida
que suamos para comprar!

desde quando cochilar nos pavimentos,
por longas horas,
enriquece alguém?

não estudei para arrumar um salário
que alimente a preguiça
e estimule a mendicância!

Sem o direito de ser-e-sentir,
ali, no chão, está aquele corpo

na chuva e sol,
dia e noite,
vivo ou morto

o que está mais do que óbvio
é que bloqueia o meu caminho

29 de novembro de 2012

Sobre caules

Perdoem-me os afortunados autossuficientes,
mas não acredito em flores sem caules

que flutuam sobre o nada
a se alimentar, sós, do sol
e independem de água e sal

Do auto-aplauso do auto-didata
que do alto do planalto
conserva o seu orgulho
com reservas em se sentir tocado

Todo fruto vem de dois
ou mais
Sucesso solitário
do ser incapaz
De notar que há braços ao redor
elo que não se desfaz

8 de novembro de 2012

A los que sueñan

Sobre los que sueñan a cada día
y viven como si tuvieran alas
no hago bromas

cuando uno lo hace,
no le veo gracia

Prefiero las tonterías de los que creen
que los corazones no sirven solamente para sangrar;
que los pulmones no tienen que ser agotados como la caldera de un tren de vapor;
que las manos y piernas de hombres y mujeres no deben ser tentáculos de un monstruo                    insaciable

Me encantan ellos que, en sus locuras, se lanzan en batallas por toda la vida
y persisten confundindo los sueños adormecidos con los despiertos

24 de outubro de 2012

Argumentos (de um macho) em rima

Não façamos esforços
empilhemos os pratos,
garfos, facas e colheres

amontoemos as roupas
e esperemos o cumprimento,
ofício das mulheres

reclamemos da textura,
do sal, da doçura,
das comidas que preparam


da falta de bruteza
quando achamos necessária

do excesso de sedução
se julgamos depravada


Esperemos sempre mais
de quem menos tem tempo

de sorrir, de cantar
 as dores que sentem dentro

afinal de contas,
esses são problemas delas

e das coisas leves não tratamos:
pisamos, amassamos,
roçamos e desbravamos

tentar entender não nos cabe
pois isso requer esforço e tempo
e sem eles não há possibilidade