Onde abandonaste tua ousadia
que tanto alardeava
aos seres ofuscados?
tua loucura de latir aos cães
de endeusar miseráveis
de mergulhar na vida
de peitar gigantes
menosprezar a realeza
e xingar santidades
tua ousadia
querida
essa que deixaste para trás
em algum momento do teu duro caminho
me inspirava voos
-hoje me transpira saudades
19 de fevereiro de 2014
25 de janeiro de 2014
Los tartamudeos III
De repente empezaron los murmurios en monótona
entonación. Él no podía entender. Por lo menos todavía, cuando daba sus primer
pasos. Dijo una vez a su papá que estaba enfermo por no conseguir hablar,
mientras este, en reacción, sonrió con su creativa analogía. Pasaban los días y
las palabras parecían pesar más en los pulmones, exigiéndole cada vez mayor
ímpeto vociferador.
Cierto día, de cuello – somnoliento -, vertió
lágrimas cuando el papá insistió que él iba a conseguir hablar lo que se
prendió en su garganta.
Otra agua se derramó poco después en aquella
noche, y no era la lluvia de las nubes, pero la mía. Y no escurrían por las
mejillas, pero se rastreaban cruzando mis entrañas: por donde pasaban llevaban
el dolor.
18 de dezembro de 2013
Poema-faísca
O mundo está em trevas, é verdade
mas tens criado sombras em demasia
em tua cabeça cheia
aquilo que teus olhos não tocam
te asfixia com interrogações
não tornes o medo teu pão de cada manhã
a ansiedade a bússola pra cada passo teu
nem a angústia um travesseiro
a sustentar tua consciência, que pesa
o agora é ameaça: “me espreita, se aproxima, me ataca”
mas não aniquila
viver é um verbo que não se mistura com a morte
abandona essa penumbra que te envolve
a cada esquina da tua vida
28 de novembro de 2013
Curvilínea
Nada que me sai dessa caneta azul é meu
as curvilinhas
que invadem esse papel
não me são próprias
o que hoje sou-estou
não é o que me apetece
mas esse tanto
castelo-de-areia onde os grãos são pessoas
com um pouco que penso ter escolha
minha-eu
nesta tinta que marca um pouco do que vi(vi)
estão diluídas multidões que cruzaram o meu estar aqui
alguns, rostos nítidos
outros, silhuetas fuscas
presentes todos nos traços
que minha mão sozinha pinta
2 de novembro de 2013
De pranto
Espera outra hora
outro dia
outra alvorada
adia o que não se pode
desperdiça mais uma noite
com todas suas lufadas
deixa a vida para outro quando
outro ano
outro nunca
o momento deveria ser outro
ignora o agora
te enterra de pronto
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