1 de outubro de 2011

Capitalismo e o fetiche da mercadoria


animação por STUDIO SMACK

"À primeira vista, a mercadoria parece uma coisa trivial, evidente. Analisando-a, vê-se que ela é uma coisa muito complicada, cheia de sutileza metafísica e manhas teológicas. Como valor de uso, não há nada misterioso nela, quer eu a observe sob o ponto de vista de que satisfaz necessidades humanas pelas suas propriedades, ou que ela somente recebe essas propriedades como produto do trabalho humano. É evidente que o homem por meio de sua atividade modifica as formas das matérias naturais de um modo que lhe é útil. A forma da madeira, por exemplo, é modificada quando dela se faz uma mesa. Não obstante, a mesa continua sendo madeira, uma coisa ordinária física. Mas logo que ela aparece como mercadoria, ela se transforma numa coisa fisicamente metafísica".

"O misterioso da forma mercadoria consiste [...] simplesmente no fato de que ela reflete aos homens as características sociais do seu próprio trabalho como características objetivas dos próprios produtos de trabalho, como propriedades naturais sociais dessas coisas e, por isso, também reflete a relação social dos produtores com o trabalho total como uma relação social existente fora deles, entre objetos. [...] A forma mercadoria e a relação de valor dos produtos de trabalho, na qual ele se representa, não têm que ver absolutamente nada com sua natureza física e com as relações materiais que daí se originam. Não é mais nada que determinada relação social entre os próprios homens que para eles aqui assume a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas".

Karl Marx
(Livro Primeiro, Tomo 1, p 197-198 - Nova Cultural)

13 de setembro de 2011

Cor do vento

Atravessamos
o paradoxo dos números
Concentração
de muita prata nas mãos de alguns
De pomposas
vidas de novelas
A quem rasteja
e respira a miséria

Enquanto o ponteiro dá suas voltas
os maravilhados só me perguntam

Se eu vejo discos voadores
se a cor do vento é borboleta
Se a aquarela do arco-íris
traz flores ao amanhecer

Tangenciamos
paradoxos inúmeros
Concentração
de muita terra sob alguns
De pomposas
vidas-cinderelas
A quem rasteja
e transpira a miséria

Enquanto o planeta dá suas voltas
os seres ilhados me declamam

Que a língua é um rio de sabores
cada segundo uma ampulheta
Derrama vários universos
que indefinem o meu ser

24 de agosto de 2011

Los tartamudeos II

¿Cuantas veces más necesitaré acostarme pensado que yo conozco las palabras, pero no domino los medios para hacerlas fluir? ¿Por cuantas noches cruzaré reflexionando sobre como mis caretas deben parecer feas y ridículas mientras yo “hablo”? ¿Bajo cuantas lunas me quedaré contentándome por no ser mudo y tener una estruendosa risa?

2 de julho de 2011

Morapitiara

Todo dia eu morro

não resisto à facada faminta
que, na falta do alimento,
encontra o sangue

faleço porque tenho uma porção de crias,
mas me faltam os meios dignos

Todo dia a vergonha me mata

pois vivemos num quando
que culpa a barriga miserável

e ameniza o fracasso dos ninguéns
dividindo, em parcelas igualitárias, a culpa entre todos

nos coramos porque existem aqueles
que bebem trocados
para sobreviver de maneira alguma

Todo dia matamos

não engatilhando revolveres,
apontando canivetes
ou porque escolhemos os líderes errados,
que tomamos como nossos piores exemplos

matamos por termos ficado cegos há tempos
ofuscando as contradições sociais
que deixam de ser fonte dos males cotidianos,
e passam a significar pluralidade do ser humano

Todo dia nós morremos

20 de fevereiro de 2011

Carro Beh e outras verdades I

A neve é a água
que gruda no algodão das nuvens
antes de despencar do céu
que é o teto do planeta

Quando chega na terra
toda água se transforma
parte em lagoas
outra em rios
e alguma até em mares

mas a água que prefiro
é a que vira lençóis
que trazem nossos sonhos