25 de janeiro de 2014

Los tartamudeos III

De repente empezaron los murmurios en monótona entonación. Él no podía entender. Por lo menos todavía, cuando daba sus primer pasos. Dijo una vez a su papá que estaba enfermo por no conseguir hablar, mientras este, en reacción, sonrió con su creativa analogía. Pasaban los días y las palabras parecían pesar más en los pulmones, exigiéndole cada vez mayor ímpeto vociferador.

Cierto día, de cuello – somnoliento -, vertió lágrimas cuando el papá insistió que él iba a conseguir hablar lo que se prendió en su garganta.

Otra agua se derramó poco después en aquella noche, y no era la lluvia de las nubes, pero la mía. Y no escurrían por las mejillas, pero se rastreaban cruzando mis entrañas: por donde pasaban llevaban el dolor.

18 de dezembro de 2013

Poema-faísca

O mundo está em trevas, é verdade
mas tens criado sombras em demasia
                                                        em tua cabeça cheia

aquilo que teus olhos não tocam
te asfixia com interrogações

não tornes o medo teu pão de cada manhã
a ansiedade a bússola pra cada passo teu
nem a angústia um travesseiro
                                              a sustentar tua consciência, que pesa

o agora é ameaça: “me espreita, se aproxima, me ataca”
                                                                                     mas não aniquila

viver é um verbo que não se mistura com a morte
abandona essa penumbra que te envolve
a cada esquina da tua vida

pois o futuro é um sol que sempre está a nascer

28 de novembro de 2013

Curvilínea

Nada que me sai dessa caneta azul é meu
as curvilinhas
                    que invadem esse papel
não me são próprias

o que hoje sou-estou
não é o que me apetece
mas esse tanto
                       castelo-de-areia onde os grãos são pessoas
com um pouco que penso ter escolha
                                                      minha-eu

nesta tinta que marca um pouco do que vi(vi)
estão diluídas multidões que cruzaram o meu estar aqui
alguns, rostos nítidos
                               outros, silhuetas fuscas
presentes todos nos traços
que minha mão sozinha pinta

2 de novembro de 2013

De pranto

Espera outra hora
outro dia
outra alvorada

adia o que não se pode
desperdiça mais uma noite
com todas suas lufadas

deixa a vida para outro quando
outro ano
outro nunca

o momento deveria ser outro
ignora o agora

te enterra de pronto

6 de outubro de 2013

Escrito sem-gaveta

Não quero escrever versos
que tenham serventia

que se guardem em gavetas
sob poeira e teias

poesia que seja povoada
por ácaros
tártaro
nem pelo abandono

quero-quero escritos sem serventia
                                nem servidão

que tomem emprestados
os dotes alados
de seres como borboletas

e possam ser lar
de ícaros
pássaros
e daquilo que não tem dono